Sunday, January 27, 2008

UM OUTRO BIG BROTHER - A RELAÇÃO LOJA X CLIENTE

Texto enviado ao setor de atendimento ao cliente da Livraria Saraiva.

Procurei um "fale conosco" na página principal da Livraria Saraiva e não achei.
Cata daqui, vira dali, o único email de contato que encontrei foi esse.
Não sei se vou ser lido, escutado, levado em consideração e, finalmente, se "merecerei" resposta.

Mas o texto será enviado de qualquer forma e também estará disponível para quem quiser em meu blog.

Vivemos em tempos de Big Brother como nem George Orwell imaginou em seu livro. Na verdade não há nenhuma necessidade de televisores enormes avisando às pessoas que estão sendo vigiadas o tempo todo, para que se comportem. Tenho dito a amigos em conversas informais que aqueles personagens de filmes de espionagem, como nos de James Bond, que, no fim do filme, assumiam uma outra identidade e iam morar em outro país, iniciando uma nova vida para não mais serem encontrados, não têm mais lugar nos filmes de hoje, nos tempo de hoje: eu acredito ser virtualmente impossível se esconder hoje seja em que parte for do mundo. Somos seguidos, monitorados, vigiados, julgados, classificados, enquadrados em categorias seja lá do que for (social, de renda etc), somos, enfim, um número no tal do "SISTEMA".
Cada vez menos somos atendidos por pessoas com olhos, boca ou que esbocem alguma emoção. O atendimento eletrônico por telefone de algumas empresas, além de identificar se o número que está discando já está cadastrado, consegue entender palavras ditas por quem liga para que possa direcionar as ligações. Mesmo as pessoas DE VERDADE que atendem parecem ter decorado um texto, distribuído a toda e qualquer empresa, sem esboçar emoções da mesma forma que as engenhocas eletrônicas.

Eu sou um incentivador da tecnologia e procuro me manter atualizado. Neste momento escrevo este email a partir de um laptop que utilizo em meu trabalho e acho que minha geração é privilegiada por ter nascido na era "pré-shopping center", quando o celular aparecia somente nos seriados de ficção científica (e mesmo assim para poucos), e por ter assistido a toda esta evolução até aqui.

MAS, EXATAMENTE POR TER NASCIDO HÁ QUASE 49 ANOS ATRÁS, pude experimentar, dentre outras "coisas do passado" um relacionamento personalizado nas lojas, onde quem estava do outro lado do balcão olhava para quem estava comprando e, se houvesse necessidade de parcelamento da quantia, a questão era resolvida ali, na hora. Com o tempo, as coisas foram ficando passo a passo mais complicadas, com um cadastro aqui, uma exigência ali, uma consulta acolá, até termos a estado de coisas de agora.

Por morar na mesma rua do Shopping Rio Sul no Rio de Janeiro, costumo visitar a Saraiva localizada no terceiro andar daquele prédio praticamente toda semana. Minha filha mais nova de sete anos praticamente cresceu dentro da loja nos últimos quatro anos, já tendo perdido há muito tempo a conta de quantas vezes ela e a mãe ficaram horas a fio na seção de livros infantis lendo (e comprando) tudo que fosse do interesse dela. Nos últimos dois anos, no início do ano, tenho feito a mesma rotina de parcelamento dos livros didáticos dos meus filhos, com pagamento em cheque.

Neste ano, porém, não me foi possível realizar a mesma transação, no valor de mais de R$ 800,00, porque o "SISTEMA" apitou: "o Sr. Fernando atrasou alguma coisa em outro local; melhor não aceitar os cheques dele!!!" Chamado o gerente pela menina do caixa, ele fica olhando para o terminal que apenas dizia "transação negada", ou alguma coisa parecida, e, segundo ele, totalmente incapaz de fazer alguma coisa para liberar a transação: o SISTEMA não deixava!!!

Anos de compra (que imagino estejam registrados através do Cartão Saraiva Plus), dois anos de parcelamento de livros didáticos no início do ano, fora outros inúmeros parcelamentos de menor valor ao longo destes quatro anos, sem NENHUM ÚNICO CHEQUE DEVOLVIDO, não foram capazes de reverter a decisão do SISTEMA. Em resumo, a loja, QUE EM ÚLTIMA ANÁLISE É A QUE SE RELACIONA COM O CLIENTE, transfere a decisão para uma entidade abstrata chamada SISTEMA, localizada em muitos lugares e em lugar nenhum, que nunca me viu pessoalmente, que nunca, na realidade, tratou qualquer coisa comigo pessoalmente.

A loja então perde uma compra desse valor (já realizada em outro local, com os mesmo cheques recusados), porque a meu ver, PERDE OS LIMITES, PERDE O BOM SENSO do que seria razoável numa relação loja x cliente.

Eu lamento muito que as crianças, os adolescentes e adultos jovens de agora não tenham este referencial, não consigam reconhecer o que é IMPESSOALIDADE, já que nasceram sob o regime do BB.
Mas tenho certeza que outro BB, o "big boss" da Livraria e Papelaria Saraiva sabe do que eu estou falando.
Fernando Monteiro Correia Pinto

3 comments:

Anonymous said...

entendo vc perfeitamente,
é revoltante. bjs Elianne

Unknown said...

Eu, em meus 50 anos de vida bem vividos, sou feliz e realizada. venho acompanhando as mudanças da era da informática onde as transações com seres humanos vem sendo cada vez menor, somos escravos do SISTEMA, é ele quem decide se compramos a prazo ou não! Mas isso não ocorre somente no sistema de compras, ocorre também no SISTEMA não informatizado dos atendimentos médico e profissionais da saúde, onde a relação de AMOR e CONFIANÇA entre médicoxpaciente, deixou de existir, criaram uma barreira um distanciamento, somos praticamente proibidos de nos aproximar daqueles quem tem a incubência de nos deixar bem fisica, psicológica e ou espiritualmente, os maiores problemas dessa distância é a arrogancia dos MÉDICOS que na sua grande maioria se acham como DEUSES, nos ambulatórios os pacientes são tratados com descaso por estarem necessitando dos cuidados da madicina pública, PÚBLICA?, será pública mesmo? Quanto cada trabalhador formal paga do seu salário todo mes para essa "MEDICINA PÚLICA". Nos consultórios particulares os pacientes são tratados como clientes de lojas, pagam por um serviço que as vezes não chega meia hora, muitas das vezes saem de lá pior do chegaram pelo jeito frio e distante como foram atendidos, o maior problema da humanidade é o descaso pelo seu semelhante, vivemos num mundo extremamnte capitalista, só tem valor quem tem uma boa quantia nos bancos, você vale aquilo que você tem, é inacreditável mas é REAL, o maior problema do mundo é a falta de "AMOR", não deixe seu coração aflito por uma compra negada por um sistema, temos o previlegio de ter vivido outras décadas ter conhecido outros valores (hoje extinto), também moro perto do Shopinng Rio Sul, também sou cliente da Livraria e Papelaria Saraiva,(somos vizinhos e não sabia) compro todos os livros p/ minha faculdade e das minhas filhas, costumo ir pela manhã quando o fluxo de gente é menor, mas nem sempre recebo um atendimento adequado apesar de comprar sempre avista, então adotei uma politica na minha vida "não espero de ninguém mais do que eles podem me ofercer", assim não sofro, saio de lá desejando boas vendas e um dia abençoados para todos, é como me sinto feliz, que o bem e a alegria estejam ao alcance de todos, AMÉM?

Unknown said...

Veja o filme "O AMOR É CONTAGIOSO" uma belissíma história real de um médico americano que, tratava seus pacientes com muito amor, dando a eles a satisfação de viver o tempo que ainda lhes restavam com dignidade e alegria, tirando todo medo da morte fazendo-os encarar a morte como algo natural na sua vida e, por seu modo de trabalhar foi perseguido pelo reitor e dono do hospital, não vou falar do filme é melhor assistí-lo. Durante o tempo em tive internada p/ intervenção cirurgica (4x) numa madrugada sem sono desejei receber pela manhã visita de um dos médicos os quais mantinha contatos nos ambulatórios, e que me conheciam muito bem, (do meu doutor lindo e mal criado) era a mais esperada, porem apenas alimentava a esperanças da visita o que não passou disso ( um sonho) numa noite de insonia, abçs